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Poupa a Terra, não vives cá sozinho

Poupa a Terra, não vives cá sozinho


Poupa a Terra, não vives cá sozinho

Se nos empenharmos e nos habituarmos a ter comportamentos responsáveis, será mais fácil prolongar a vida do planeta.

(por Nadine Mussa - Jornal Publico)

À medida a que caminhamos para um ponto sem retorno em relação ao ambiente neste planeta ainda azul, são cada vez mais os apelos à poupança, reciclagem, reutilização e redução de desperdícios. Ambientalistas têm vindo a chamar-nos à atenção há muito tempo: temos de os ouvir.

Há anos que temos ecopontos, ainda assim, são poucos os que fazem a separação do lixo. Para ajudar à “festa”, há ainda o mito urbano em que o primo do vizinho da cunhada supostamente viu que o camião mistura o lixo de todos os ecopontos. Já visitei um centro de separação de lixo. Separação porque, apesar dos esforços para alertar para que se divida tudo correctamente, há quem não obedeça às indicações. Vi técnicos cujo trabalho era fazer triagem pré-reciclagem. Temos que nos informar melhor e facilitar o trabalho a estas pessoas. Lavar os resíduos recicláveis antes de os colocar no ecoponto é o mínimo, bem como saber qual o ecoponto para cada tipo de resíduo. Não vamos pôr caixas gordurosas de pizza no ecoponto, por exemplo — ter um ecoponto caseiro ajuda, mesmo que improvisado. Façamos pressão para o aperfeiçoamento das infra-estruturas dos centros de recolha de lixo. 

A minha tia tem uma mercearia e já desabafou comigo que abusamos dos sacos plásticos na compra de legumes e fruta. Uma beringela vai num saco com um nó apertado, os pimentos noutro e por aí em diante. Têm preços diferentes, mas seria mais amigo do ambiente pôr tudo no mesmo saco, pesar os produtos individualmente e voltar a colocar num saco maior. Não poderei falar por todos os comerciantes, mas os meus tios, na sua pequena frutaria, não só aceitariam este método como o pretendem incentivar. Afixarão um papel na parede a pedir que os ajudem a poupar o ambiente, poupando nos sacos.

Os sacos plásticos para transporte de compras já são pagos há algum tempo e já muitos aderiram aos reutilizáveis. Podemos agora evitar também a compra de sacos plásticos para colmatar os esquecimentos: compremos sacos de pano que possam estar nas nossas malas ou carros para qualquer eventualidade; ocupam pouco espaço e são sustentáveis.

Vamos, colectivamente, deixar de contribuir para as ilhas de plástico no oceano. Se há muito quem reduza o desperdício com sucesso, todos conseguimos! Temos, no entanto, de pressionar as indústrias. Bolachas embaladas individualmente, envoltas depois em conjunto num plástico e por fim colocadas numa caixa de papel? Talvez se possa cortar num passo ou dois. Opta por comprar produtos com menos embalagens de plástico e aposta no papel. Lembra-te que “deitar fora” não existe: o lixo vai para aterros, continua cá!

Se não tiveres uma incapacidade, prefere as alternativas às palhinhas. Usa escovas de dentes amigas do ambiente, usa produtos que não te prejudiquem nem aos animais, desde os de limpeza aos de higiene e maquilhagem. Se cultivas terras, usa os desperdícios alimentares para compostagem que serve de adubo.

Com duches curtos, e redução do caudal, poupas água. Desliga a torneira quando não precisas dela, tanto no duche como quando lavas os dentes ou a louça. Poupa também os animais de rua e selvagens. Corta os anéis que ligam as latas para que não prendam o pescoço às aves, amolga as latas para que nenhum gato ou cão abandonado fique com o focinho entalado… Há tanto que podemos fazer e tão pouco a ser feito! É uma questão de reflexão, informação e bom senso. Apelo a campanhas mais inclusivas, cativantes e de larga escala para nos reeducar para o ambiente, quiçá começar com a tão falada medida que recompensa quem recicla.

Temos países exemplares na Europa na reciclagem, como a Suíça. Aprendamos com eles e melhoremos as nossas condições e comportamentos. Não falo só a nível doméstico, mas industrial também. As indústrias têm um impacto exponencialmente superior ao do comum cidadão na pegada ecológica, é seu dever tomar medidas de resolução.

Ganhamos “óscares” do turismo mas temos as ruas permanentemente sujas porque beatas e plásticos vão para o chão, quando há – ou deveria haver – um caixote por perto para os depositar. Facilitemos a vida a quem limpa as ruas enquanto poupamos o ambiente – os trabalhadores de manutenção não são omnipresentes e o que não conseguem recolher pode demorar anos a decompor-se. Sejamos mais conscientes!

Se nos empenharmos e nos habituarmos a ter comportamentos responsáveis, será mais fácil prolongar a vida do planeta. Pesquisa e informa-te sobre medidas extra a pôr em prática. Pressiona quem manda para tomar medidas que nos ajudem. Poupa a Terra, não vives cá sozinho! Poupa, também, pelos teus filhos e pelos dos outros. Vamos, colectivamente, trabalhar para reduzir o estrago e a nossa pegada ambiental. Ainda não é tarde demais.

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